Natal

Posted in Correspondência on December 24th, 2009 by António Campos

NATAL – Quer queiramos ou não

O Natal quer queiramos ou não, é um data especial. Não me refiro ao nascimento de Jesus Cristo.
Refiro-me à data que uma imensa maioria, escolheu para ser mais “humano” e partilhar esse humanismo com os outros. É mágico!
Isto é importante quer queiramos ou não.
Infelizmente este estado de quase beatificação é curto, pois não aguentamos por muito tempo sermos tão “bons”. No entanto , tal qual uma paixão, enquanto dura é bom.
Todos os anos, tenho problemas, ao querer, desejar a toda a gente tudo de bom por mensagem, não consigo por ter o hábito de enviar felicitações personalizadas para cada uma das pessoas de quem gosto. Faço desta forma por achar que todos os meus conhecidos, amigos, familiares, etc. são pessoas, cada um deles com especificidades, logo diferentes entre si, logo especiais.
Outro problema é a escolha das palavras, tentando não cair no vulgar ou corriqueiro das frases feitas. A propósito dizia-me um amigo: há poucos anos desejava-se Feliz Natal, agora diz-se Boas Festas, talvez queira dizer que dantes seria mais centrado na festa religiosa propriamente, enquanto hoje será mais generalista. Embora sejam comemorações de cariz diferente, ambas tem em comum, o factor Esperança, implícito.
Como é minha crença pessoal, que todos os seres humanos vivem em função da Felicidade e na Esperança de obter mais felicidade, é meu desejo profundo que todos os que me rodeiam, prolonguem este estado de paixão, que nesta época do ano nos afecta, pelo tempo que lhes for possível.
Desejo, para os meus alunos e seus familiares, meus familiares, familiares dos meus familiares, meus amigos e seus respectivos amigos, meus inimigos (que desconheço, e havendo que deixem de o ser), o mesmo que desejo para mim SER FELIZ quer queiram ou não.

Bom Natal com quem desejem estar, e que a entrada do Novo Ano seja propiciadora daquilo que anseiam para a vossa vida

Sensei Campos

Síndrome

Posted in Correspondência on June 13th, 2009 by António Campos

            Síndrome ou sindroma é um conjunto de sinais associados a uma patologia (doença) e que no seu conjunto definem o diagnóstico e o quadro clínico de uma condição médica. Em geral são um conjunto de determinados sintomas de causa desconhecida. Um síndrome não caracteriza necessariamente uma doença mas um conjunto de doenças (esta é uma definição wikipédia).

            O que é que isto tem a ver com o karaté?

            Ao longo dos anos a que me dedico ás artes marciais tenho notado como aluno, que ainda sou, e posteriormente como instrutor alguns comportamentos que no mínimo classifico como estranhos, tanto por parte de alunos (de todas as graduações) como de instrutores auto-intitulados “mestres” (também de várias graduações).

            Como sabem iniciamos a nossa “carreira” marcial com um cinto branco ao qual dando continuidade a essa mesma “carreira” vai inevitavelmente ficar negro. Até atingir esse patamar (negro) passamos pelo “arco-íris”, que é onde ganhamos conhecimentos base, para nos lançarmos a maiores voos.

            Neste percurso, acontecem as tais coisas estranhas, que algumas vezes (poucas felizmente) me deixam boquiaberto. Já tive exemplos de cintos brancos que com um mês de treino se sentem com coragem para entrar em zaragatas, baseando essa coragem no facto de terem aprendido o foco e a trajectória de um tsuki (soco), ou até mesmo sentirem-se mais fortes pelo facto de já conseguirem fazer 10 flexões sem parar. Para esses alguns dirão, dahhh!, mas eu direi – calma que isto não e muito mau, é que há outros com bastante mais tempo de treino (anos) tomam atitudes de arrogância para com os colegas e até para com os instrutores, quando em algumas ocasiões devido à sua condição física, se conseguem sobrepor ao colega de treino, isto é mais maumuito mais.

            O crescimento em karaté passa essencialmente pelo que o criador do nosso estilo Sensei Chojun Miyagi, dizia – treinar 10 para ser 5, ou chorar no treino para rir na rua. Com base nisto não há tempo nem espaço para atitudes de arrogância e/ou falta de humildade que a todos prejudica inclusive ao próprio.

            A medida do nosso crescimento marcial é vista pela entrega ao treino, pelo auto empenho na melhoria de pormenores técnicos e pela atenção que temos para com o nosso colega e nunca pelo nosso nariz (empinado) ou pelo colorido que temos abaixo do umbigo (cinto).

            Assim, os conjuntos de sinais ou sintomas que me é dado a observar não me indica nenhuma patologia grave, mas para mim são sinais de causa desconhecida e em que, nem sempre consigo intervir no sentido de corrigi-los.

            Com tudo isto, apenas não quero que os meus alunos e os alunos de outros instrutores e até outros instrutores não sofram do grave síndrome da graduação.

 

 

Obrigado a todos,

Sensei Campos

O Concerto

Posted in Correspondência on May 21st, 2009 by António Campos

A exemplo de há dois anos, este ano, fui novamente à queima das fitas no Queimódromo de Matosinhos, tal como há dois anos adorei. Houve no entanto, algumas diferenças, ( substanciais), dado que na anterior estava a chover, logo muito menos gente,  nesta o tempo aguentou-se e o espaço ficou completamente cheio.

      Antes de começar o concerto que me levou lá, tive oportunidade de dar uma volta pelas barraquinhas, para observar “in locu” como tudo funcionava isto porque na minha visita anterior não havia tido essa chance. Qual não foi o meu espanto, na proximidade de muitas dessas barraquinhas, as minhas sapatilhas teimavam em colar-se ao chão. Pensei para comigo – é pastilha elástica – nas duas ?, não pode! Tinha sido despejada tanta cerveja no chão que este agora colava. Pensava eu que a cerveja era para beber. Também a 0.50€ o copo ( grande) dava para tudo.

      Com toda esta excitação alcoólica, e não só, que eu vi, começou o concerto, pensando eu, ( inocente ) que todos iriam estar atentos a curtir a música. Grande engano, não houve um minuto em que não estivesse alguém, a passar de um lado para o outro, e todos eles com as suas candeias acesas

(leia-se copos com cerveja), alguns já em tão mau estado de raciocínio, que era óbvio que o chão colasse. Mesmo os que estavam mais estacionados, e em conversas bastante animadas, mantinham sempre a candeia acesa ( não consegui descobrir de onde lhes vinha tanta sede).

      Neste ambiente, e com o concerto a decorrer, apercebi-me, que duas miúdas na casa dos vinte e poucos, estacionadas atrás de mim. Iam comentando muitos dos que iam passando, coisas do tipo – olha aquele chavalo tem o cabelo branquinho como o da minha mãe, ( talvez, não reparando que o dito pintava as raízes de escuro ) e é muito parecido com o namorado da minha prima Célia, tu sabes quem é e blá, blá, blá, espantoso com esta aparente distracção, saía-lhes em uníssono mais um refrão “ ai meu amor o que eu já chorei por ti… lá continuavam a conversa para novamente entrecortar com novo refrão “ de Bragança a Lisboa lá lá lá” . Não cheguei a entender como conseguiam estar fora e dentro do espectáculo. Se calhar nem elas.

      O que é que isto tem a haver com a prática do karaté?

      Eu fui assistir ao concerto, e como é meu hábito concentrar-me no espectáculo de forma a não perder pitada do que lá se passasse, tendo para isso, a não ingestão de bebidas alcoólicas como regra. Constatei que a maioria dos que me rodeavam não tinham a mesma intenção; assistir ao espectáculo, e a sensação de felicidade não vinha do palco, mas sim de líquidos e ou fumos ingeridos.

      Nas artes marciais acontece algo, que pode de alguma forma relacionar-se. Os praticantes, sabem que para usufruírem da felicidade que o treino proporciona, têm que estar atentos, concentrados e uma grande dose de querer. Os não praticantes ( a esmagadora maioria ) suspeitam  de algo mas não sabem que é de felicidade que se trata, muitas vezes rotulando-nos de diversas formas e muitas vezes negativas. Isto faz-me pensar que esses seres estão neste concerto ( vida ) apenas para beber umas cervejas, tornar o chão pegajoso e deixar correr a vida (concerto), até ao final, sem a ter vivido, tantas são as vezes que estão fora e dentro.

      Para aqueles que querem um pouco mais da vida, e entendam vida, como felicidade, a prática das artes marciais, pode ser um dos muitos caminhos a trilhar. Portanto não deves deixar que o concerto (a prática) te passe ao lado.

 

Já agora o concerto com os XUTOS  foi fantástico 

 

 

 

Obrigado a todos

 

Sensei Campos

Introdução

Posted in Correspondência on May 17th, 2009 by António Campos

 Olá para todos os visitantes deste “sítio” e do link mensagens, agradeço a disponibilidade de dispensarem algum do vosso tempo a ler as mensagens, que eu com imenso prazer aqui deixo. Este link destina-se a de alguma forma, a fazer relatos de analogias que me ocorrem no dia-a dia, de situações comuns e que numa primeira abordagem nada têm a ver com as artes marciais, mas quando mais atentos, a essas situaçõs só tem. Espero que disfrutem, e daí extraiam algo proveitoso, tanto para o vosso dia-a-dia como para as artes marciais. Quanto à frase do Helder Pinto “imensa sabedoria”, muito obrigado mas terás que esperar talvez mais 100 anos  .

Muito obrigado

Sensei Campos

O começo de uma história…

Posted in Correspondência on May 6th, 2009 by HPinto

Olá pessoal,

Não percam este link de vista… vai ser usado pelo sensei para nos instruir com a sua imensa sabedoria… :)

Cumprimentos,

Helder Pinto